Especial Post-Punk - Apêndice

Uma Antologia Inspiradora
É final de 1976. Thurston Moore lê revistas de rock com seus camaradas em Connecticut. Um dia tudo fica claro. Eles precisam ir ao Max’s Kansas City de Nova Iorque. Eles se juntam no Fusca de Thurston e saem logo depois da escola. Sem um mapa ou direções. Eles nem sabem se vai ter um show no Max, muito menos se vai estar aberto, mas eles vão assim mesmo. Eles chegam à cidade de Nova Iorque, encontram problemas em achar o clube, e mais ainda para achar o estacionamento. Finalmente eles entram e perguntam quando os shows irão começar. Seis horas mais tarde. Sem problemas, eles saem para beber uma Coca e esperar.
São 3 bandas no programa. A primeira, um grupo de hard rock que ficou esquecido para posteridade. Depois vem os Cramps. Bryan Gregory gira continuamente um cigarro de um lado de sua boca pro outro. No baixo, Poison Ivy está apática, indiferente, apenas observando a audiência. Lux Interior arrota de uma maneira incrivelmente primitiva no microfone que está sempre muito baixo. Thurston e seus amigos não se agüentam. Eles nunca imaginariam que rock poderia ser como isso. A noite tinha sido uma revelação para eles e depois da incrível performance dos Cramps, eles não esperavam muito da terceira banda, que eles assumiam ser outra de hard rock.
Quando o Suicide sobe no palco do Max’s Kansas City de Nova Iorque, final de 1976, o mundo de Thurston Moore experimentou sua segunda revolução da noite. Martin Rev fica de lado, batendo nas teclas de seu sintetizador como um maníaco. O volume aumenta consideravelmente. Somente às vezes ele vira seus óculos escuros em direção ao público. Alan Vega está usando sua velha peruca de senhora. Ele canta com ardor, completamente estupefato com suas próprias canções. Ele quer que todo membro da platéia olhe para ele. O clube é bem pequeno e as pessoas estão sentadas em mesas. Em determinado momento Vega cai sobre seus joelhos, chorando. Um cara sentado na mesa do lado da de Thurston não está prestando atenção. Vega o pega pelo cabelo e berra suas letras. Ele cata o drink do sujeito e taca em seu rosto, depois lambe tudo. Thurston e seus amigos, como o resto da platéia, saíram de suas mesas e agacharam no fundo do local. Os amigos engatinham até a saída. Agora Alan Vega está estrangulado a namorada do sujeito com o cabo do microfone. Impassível, Martin Rev sequer para de tocar o sintetizador. Thurston e companhia voltam para o protegido carro e vão rapidamente de volta a Connecticut. Todos eles permaneceram quietos quase todo o caminho de volta. Na semana seguinte, eles voltam para o Max’s Kansas City de Nova Iorque.
Olhando para a câmera, Thurston Moore narra o episódio empolgado, com vívida memória em “Looking For A Thrill”, novo DVD lançado pela Thrill Jockey onde diversos artistas relembram momentos cruciais da música que mudaram suas vidas. Isso leva para a irrefutável conclusão que música é a arte mais fascinante que existe.
São 3 bandas no programa. A primeira, um grupo de hard rock que ficou esquecido para posteridade. Depois vem os Cramps. Bryan Gregory gira continuamente um cigarro de um lado de sua boca pro outro. No baixo, Poison Ivy está apática, indiferente, apenas observando a audiência. Lux Interior arrota de uma maneira incrivelmente primitiva no microfone que está sempre muito baixo. Thurston e seus amigos não se agüentam. Eles nunca imaginariam que rock poderia ser como isso. A noite tinha sido uma revelação para eles e depois da incrível performance dos Cramps, eles não esperavam muito da terceira banda, que eles assumiam ser outra de hard rock.
Quando o Suicide sobe no palco do Max’s Kansas City de Nova Iorque, final de 1976, o mundo de Thurston Moore experimentou sua segunda revolução da noite. Martin Rev fica de lado, batendo nas teclas de seu sintetizador como um maníaco. O volume aumenta consideravelmente. Somente às vezes ele vira seus óculos escuros em direção ao público. Alan Vega está usando sua velha peruca de senhora. Ele canta com ardor, completamente estupefato com suas próprias canções. Ele quer que todo membro da platéia olhe para ele. O clube é bem pequeno e as pessoas estão sentadas em mesas. Em determinado momento Vega cai sobre seus joelhos, chorando. Um cara sentado na mesa do lado da de Thurston não está prestando atenção. Vega o pega pelo cabelo e berra suas letras. Ele cata o drink do sujeito e taca em seu rosto, depois lambe tudo. Thurston e seus amigos, como o resto da platéia, saíram de suas mesas e agacharam no fundo do local. Os amigos engatinham até a saída. Agora Alan Vega está estrangulado a namorada do sujeito com o cabo do microfone. Impassível, Martin Rev sequer para de tocar o sintetizador. Thurston e companhia voltam para o protegido carro e vão rapidamente de volta a Connecticut. Todos eles permaneceram quietos quase todo o caminho de volta. Na semana seguinte, eles voltam para o Max’s Kansas City de Nova Iorque.
Olhando para a câmera, Thurston Moore narra o episódio empolgado, com vívida memória em “Looking For A Thrill”, novo DVD lançado pela Thrill Jockey onde diversos artistas relembram momentos cruciais da música que mudaram suas vidas. Isso leva para a irrefutável conclusão que música é a arte mais fascinante que existe.
Publicado originalmente na revista Voxer # 1, página 21.Tradução por Gilberto Custódio Jr.*
* O Giba, além de ser o magrão que derramou cerveja no Barrela, tem um podcast bem massa.

