Recife Pop

Tuesday, May 16, 2006

Especial Post-Punk - Apêndice


Uma Antologia Inspiradora
É final de 1976. Thurston Moore lê revistas de rock com seus camaradas em Connecticut. Um dia tudo fica claro. Eles precisam ir ao Max’s Kansas City de Nova Iorque. Eles se juntam no Fusca de Thurston e saem logo depois da escola. Sem um mapa ou direções. Eles nem sabem se vai ter um show no Max, muito menos se vai estar aberto, mas eles vão assim mesmo. Eles chegam à cidade de Nova Iorque, encontram problemas em achar o clube, e mais ainda para achar o estacionamento. Finalmente eles entram e perguntam quando os shows irão começar. Seis horas mais tarde. Sem problemas, eles saem para beber uma Coca e esperar.
São 3 bandas no programa. A primeira, um grupo de hard rock que ficou esquecido para posteridade. Depois vem os Cramps. Bryan Gregory gira continuamente um cigarro de um lado de sua boca pro outro. No baixo, Poison Ivy está apática, indiferente, apenas observando a audiência. Lux Interior arrota de uma maneira incrivelmente primitiva no microfone que está sempre muito baixo. Thurston e seus amigos não se agüentam. Eles nunca imaginariam que rock poderia ser como isso. A noite tinha sido uma revelação para eles e depois da incrível performance dos Cramps, eles não esperavam muito da terceira banda, que eles assumiam ser outra de hard rock.
Quando o Suicide sobe no palco do Max’s Kansas City de Nova Iorque, final de 1976, o mundo de Thurston Moore experimentou sua segunda revolução da noite. Martin Rev fica de lado, batendo nas teclas de seu sintetizador como um maníaco. O volume aumenta consideravelmente. Somente às vezes ele vira seus óculos escuros em direção ao público. Alan Vega está usando sua velha peruca de senhora. Ele canta com ardor, completamente estupefato com suas próprias canções. Ele quer que todo membro da platéia olhe para ele. O clube é bem pequeno e as pessoas estão sentadas em mesas. Em determinado momento Vega cai sobre seus joelhos, chorando. Um cara sentado na mesa do lado da de Thurston não está prestando atenção. Vega o pega pelo cabelo e berra suas letras. Ele cata o drink do sujeito e taca em seu rosto, depois lambe tudo. Thurston e seus amigos, como o resto da platéia, saíram de suas mesas e agacharam no fundo do local. Os amigos engatinham até a saída. Agora Alan Vega está estrangulado a namorada do sujeito com o cabo do microfone. Impassível, Martin Rev sequer para de tocar o sintetizador. Thurston e companhia voltam para o protegido carro e vão rapidamente de volta a Connecticut. Todos eles permaneceram quietos quase todo o caminho de volta. Na semana seguinte, eles voltam para o Max’s Kansas City de Nova Iorque.
Olhando para a câmera, Thurston Moore narra o episódio empolgado, com vívida memória em “Looking For A Thrill”, novo DVD lançado pela Thrill Jockey onde diversos artistas relembram momentos cruciais da música que mudaram suas vidas. Isso leva para a irrefutável conclusão que música é a arte mais fascinante que existe.

Publicado originalmente na revista Voxer # 1, página 21.Tradução por Gilberto Custódio Jr.*
* O Giba, além de ser o magrão que derramou cerveja no Barrela, tem um podcast bem massa.

Especial Post-Punk

(Ouvindo The Soft Boys - Underwater Moonlight)Neste começo de milênio tem sido muito comum ao ouvirmos uma banda nova, rapidamente percebermos a influência (em alguns casos, uma cópia barata mesmo), do som criado no final dos anos 70 e começo dos 80 por bandas como Joy Division, Gang Of Four, Wire, Pere Ubu, PIL, entre tantos outros. Franz Ferdinand, Bloc Party, Interpol, The Killers, todas elas tem o post-punk tatuado no DNA.Pode se dizer que se por um lado o post-punk surgiu dos destroços do punk rock, por outro ele veio como uma alternativa e uma libertação do 'formalismo' que o punk rock criou para si mesmo. Em 77 (quando em termos de mídia o punk rock surgiu, embora a gente saiba que a coisa vinha se desenrolando há uns 10 anos), quem tocasse mais que 3 acordes já era um 'traidor'. Com inflências de Bowie (em sua fase de parceria com Brain Eno em Berlim), Krautrock, Captain Beefheart, mas sem perder a sensiblidade pop, o post-punk sugeriu outras direções para uma música que pregava liberdade individual, mas que havia se tornado tão careta quando o 'bom e velho rock n' roll'Enquanto que o punk em sua origem nos EUA, apesar da sua dose de niilismo, tinha uma característica mais festeira (mesmo com o todo o solipsismo e comportamento auto-destrutivo de sujeitos como Richard Hell e Johnny Thunders), no Reino Unido ele encontrou e foi voz das perspectivas (ou falta delas) de uma juventude sem direção em um país socialmente aos trapos, que comia as migalhas da Família Real.O post-punk também teve seus representes nos EUA, mas foi um fenômeno britânico. Com o fim patético do Sex Pistols, Johnny Rotten, como que se quisesse deixar pra trás tudo aquilo, trocou a podridão pelo seu verdadeiro nome e passou a ser John Lydon. Uma troca de nome pode parecer bobagem, mas ao ouvir os primeiros albuns do Public Image Ltd, percebe-se que ele queria realmente uma ruptura em relação a linguagem musical dos 3 acordes. Ficava a atitude 'faça-você-mesmo', mas o som alcançava outros patamares.Formado por Lydon, pelo guitarrista Keith Levene, e pelo baixista Jah Wooble, o PIL de certa forma, trouxe a tona algumas características marcantes do post-punk. Se até então o rock, inclusive o punk, era um estilo baseado em blues, com a guitarra em primeiro plano, o PIL subverteu isso, trazendo para frente as trovoadas de Wooble. A guitarra de timbres estridentes, acordes dissonantes, e com 0% de blues Keith Levene, criava climas gélidos para a bateria e para o vocal angustiado de letras cínicas e existencias de Lydon.Outras características do som post-punk, que eram o uso do silêncio, o jogo de 'pergunta-resposta' entre baixo e guitarra, cozinha aparentemente desconjuntada, e ataques funk, foram bem desenvolvidos pelo Gang Of Four, principalmente em seus dois primeiros albuns, Entertainment! e Solid Gold. Os punks tradicionais atacavam bandas como o Gang Of Four e XTC, não só por suas experimentações musicais, mas também pela erudição que essas bandas trouxeram. As influências iam muito além das meramente musicais, e os grupos, na sua maioria formado por universitários, faziam referências às artes plásticas, à literatura, ao cinema, e ao existencialismo, enquanto que o punk buscava a cultura de rua.Na mesma época do post-punk, outros estilos surgidos a partir do punk, tinha uma relação 'promíscua' entre sim. Por exemplo, o Joy Division, que seus climas densos e letras depressivas, guitarras em forma de ondas de barulho dissonante, o baixo sombrio sobre uma batida seca, mesmo sendo um representante do post-punk, de certa forma criou a base para o que viria a ser conhecido como gótico. E o que dizer então de Bauhaus, The Cure e Siouxie & The Banshees? Essa 'prosmicuidade' ficava também bem acentuado nos EUA, onde o post-punk, ao contrário de surgir a partir da decadência do punk, foi desenvolvido paralelamente a ele por grupos como Television e Patti Smith Group. O Talking Heads trazia no som de seus primeiros albuns tanto as características musicais e erudidas do post-punk, como o acento pop da New Wave. Outro exemplo dessa relação entre post-punk e new wave é o Devo, que em seu primeiro album teve a 'audácia' de cometer uma versão para Satisfaction desprezando o clássico riff de Keith Richards.Já o Suicide, não trazia nada de pop em sua música industrial. Pelo contrario, trazia uma abordagem mais agressiva (bota agressiva nisso), assim como a No Wave de bandas como James Chance & The Contorcions e Sonic Youth. Este último trazia muitos elementos do post-punk em em seu Ep de estréia em 1982.Um dos maiores representantes do post-punk americano foi o Pere Ubu, com suas colagens bizarras, letras surrealistas, e guitarras sem elementos de blues. A experimentação do Pere Ubu, viria a ser uma das maiores inflências de Black Francis, ao formar o Pixies na segunda metade da década de 80.O fenômeno post-punk transcendeu a questão musical. Foi um fenômeno cultural muito mais amplo. Ele não teria tido força sem o surgimento de pequenos selos, o que fortaleceu o mercado independente. Além disso sua influência marcou quase tudo o que veio depois, porém não tanto quanto no momento atual. Sem o pessimismo dos originais, bandas como Art Brut, Maximo Park, entre outras surgem aos montes, e mesmo sabendo que a maioria não vai sobreviver ao secundo album, elas no mínimo deixaram as pista de dança um pouco mais divertidas. Só nos resta a questão: Década de 80; quando vão deixar que ela descanse em paz?
Leitura recomendada:

Friday, May 05, 2006

Sonic Youth Bootlegs

Taí uma dica legal pra quem é fã de Sonic Youth. Tem um forum que tem muita coisa deles (táqueopariu, haja hd). Vale a pena.

http://www.setbb.com/forumsonicyouth/

aquele abrá, e não esqueci do especial pós-punk

Tuesday, May 02, 2006

The Beach Boys - The Pet Sounds Sessions (1996)

É isso aí, no aniversário do Pimentel quem ganha são vocês (essa frase é massa)

CD 1
The Stereo Mix
1- Wouldn’t It Be Nice
2- You Still Believe In Me
3- That’s Not Me
4- Don’t Talk (Put Your Head on My Shoulder)
5- I’m Waiting For The Day
6- Let’s Go Away For Awhile
7- Sloop John B
8- God Only Knows
9- I Know There’s an Answer
10- Here Today
11- I Just Wasn’t Made For These Times
12- Pet Sounds
13- Caroline, No

Sessions – Part 1

14- Sloop John B - highlights from tracking date
15- Sloop John B – stereo backing track
16- Trombone Dixie - highlights from tracking date
17- Trombone Dixie - stereo backing track
18- Pet Sounds - highlights from tracking date
19- Pet Sounds - stereo track without guitar overdub
20- Let’s Go Away For Awhile - highlights from tracking date
21- Let’s Go Away For Awhile - stereo track without string overdub
22- Wouldn’t It Be Nice - highlights from tracking date
23- Wouldn’t It Be Nice - stereo backing track
24- Wouldn’t It Be Nice - stereo track with background vocals
25- You Still Believe In Me -intro-session
26- You Still Believe In Me – intro-master take
27- You Still Believe In Me - highlights from tracking date
28- You Still Believe In Me - stereo backing track

CD 2
Sessions – Part 2

1- Caroline, No - highlights from tracking date
2- Caroline, No - stereo backing track
3- Hang On To Your Ego - highlights from tracking date
4- Hang On To Your Ego - stereo backing track
5- Don’t Talk (Put Your Head On My Sholder) – Brian’s instrumental demo
6- Don’t Talk (Put Your Head On My Sholder) - stereo backing track
7- Don’t Talk (Put Your Head On My Sholder) – string overdub
8- I Just Wasn’t Made For These Times - highlights from tracking date
9- I Just Wasn’t Made For These Times - stereo backing track
10- That’s Not Me - highlights from tracking date
11- That’s Not Me - stereo backing track
12- Good Vibrations - highlights from tracking date
13- Good Vibrations - stereo backing track
14- I’m Waiting For The Day - highlights from tracking date
15- I’m Waiting For The Day - stereo backing track
16- God Only Knows - highlights from tracking date
17- God Only Knows - stereo backing track
18- Here Today - highlights from tracking date
19- Here Today - stereo backing track

CD 3
Stack-o-vocals

1- Wouldn’t It Be Nice
2- You Still Believe In Me
3- That’s Not Me
4- Don’t Talk (Put Your Head on My Shoulder)
5- I’m Waiting For The Day
6- Sloop John B
7- God Only Knows
8- I Know There’s an Answer
9- Here Today
10- I Just Wasn’t Made For These Times
11- Caroline, No

Alternate Versions

12 – Caroline, No – promotional Spot # 1 *
13 – Wouldn’t It Be Nice *
14 – You Still Believe In Me *
15 – Don’t Talk… - vocal snippet
16- I’m Waiting For The Day – Mike sings lead *
17 – Sloop John B – Carl sings first verse *
18 - God Only Knows – sax solo *
19 – Hang On To Your Ego *
20 – Here Today *
21 – I Just Wasn’t Made For These Times *
22 – Banana & Louie *
23 – Caroline, No – original speed, stereo mix
24 – Dog Barking Session – outtakes *
25 – Caroline, No – promotional spot # 2 *
26 – God Only Knows – with a capella tag
27 – Wouldn’t It Be Nice *
28 – Sloop John B
29 – God Only Knows – Brian sings lead *
30 – Caroline, No – original speed, mono mix *

* mono

CD 4
The Pet Sounds Album, the original mono mix, re-mastered in 1996
12- Wouldn’t It Be Nice
13- You Still Believe In Me
14- That’s Not Me
15- Don’t Talk (Put Your Head on My Shoulder)
16- I’m Waiting For The Day
17- Let’s Go Away For Awhile
18- Sloop John B
19- God Only Knows
20- I Know There’s an Answer
21- Here Today
22- I Just Wasn’t Made For These Times
23- Pet Sounds
24- Caroline, No




Essa edição foi lançada em 1996, em comemoração aos 30 anos de um dos melhores álbuns de todos os tempos. Não há muito o que dizer sobre Pet Sounds e a genialidade de Brain Wilson. Então eu traduzi (não é lá uma grande tradução, mas quebra o galho) a entrevista que Paul McCartney concedeu a David Leaf em 1990 no Japão, Os trechos a seguir estão em um dos livretos que acompanham o Box Set. Good Vibrations pra vocês =)

QUANDO VOCÊ COMEÇOU A REPARAR NOS BEACH BOYS?

Paul: Os discos de surf do início...eu os via como um número musica, e gostava, mas não tinha um grande interesse – era apenas um som bacana...nós gostávamos do vocal, os falsetes altos e as letras ‘californianas’.

Só mais tarde...foi Pet Sounds que me enloqueceu. Antes de tudo, a composição de Brian. Eu amo demais esse álbum. Eu comprei pra cada um dos meus filhos uma cópia, pra sua educação na vida – eu acredito que ninguém é educado musicalmente até ouvir esse álbum. Eu me liguei na composição e nas canções.

Outra coisa que me fez realmente sentar e prestar atenção foram as linhas de baixo no Pet Sounds. Se você toca um Dó, você normalmente usa...a nota base, como um Dó no baixo (cantarola). Você sempre estaria no Dó. Eu fiz um trabalho em ‘Michele’, onde eu não usei a linha de baixo óbvia. E assim você consegue um efeito completamente diferente de você tocar um Sol enquanto a banda toca um Dó. É um tipo de tensão que é criada.

Eu realmente não entendo como isso ocorre em termos musicais, porque eu não muito técnico musicalmente. Mas algo especial acontece. E eu reparei que Brian usava notas que não eram as notas óbvias. Como eu disse, ‘um Sol se a banda está Dó’, esse tipo de coisa. E também usando melodias na linha de baixo. Acho que isso foi provavelmente o que mais me influenciou quando nós gravamos Pepper, foi um perido de uns dois anos onde eu sempre escrevia melodias nas linhas de baixo.

ME DISSERAM QUE ‘HERE THERE AND EVERYWHERE’ FOI INFLUENCIADA POR BEACH BOYS. CONFERE?

Paul: Na verdade foi mais a introdução que foi influenciada...John e eu nos interessávamos por aqueles velhos compositores que chamavam de ‘verso’ o que hoje em dia nós chamamos de introdução...todo aquele preâmbulo para uma canção, e eu queria isso no começo de ‘Here, There and Everywhere’. John e eu pegamos isso daquelas velhas canções que tinha isso, e colocando isso (canta ‘To lead a better life’) no começo de ‘Here, There and Everywhere’, nós fazíamos harmonias, e a inspiração pra isso foi Beach Boys. Nós tínhamos isso em mente durante a introdução de ‘Here, There and Everywhere’.

Eu não acredito q alguém, a não ser que eu tenha dito, perceberia, mas nós normalmente fazíamos isso, pegar algo de um artista ou banda que realmente gostávamos e ter aquilo em mente durante a gravação, pra dar inspiração e dar direção...e quase sempre, a gente acabava soando como nós mesmos.

COMENTE AS FAIXAs DO DISCO

Paul: “Wouldn’t It Be Nice’ (cantarola a primeira estrofe até ‘know it’s gonna make it that much better’). Esse é o tipo de melodia q eu adoro. (canta ‘When we can say goodnight and stay together, wouldn’t be nice’). Eu te digo o mesmo que eu disso para meus filhos, o que está em quase todas as faixas de Pet Sounds, inclusive nessa, é essa orquestração, o instrumental usado, que me fascina. É, eu adoro essa

YOU STILL BELIEVE IN ME

Paul: Eu amo essa melodia. Me mata, essa melodia. (cantarola a primeira estrofe). É talvez a minha preferida. A maneira como é arranjada, ela vai longe calmamente. Eu estava dirigindo meu carro uma noite dessas, e dizia aos meus filhos, ‘esperem, lá vem ela’. E quando ela vem, é tão bonito até o fim, vem surgindo aquelas harmonias multi-coloridas. Me dá arrepios. É uma das minhas preferidas

THAT’S NOT ME

Paul: (cantarola uma estrofe até ‘just one girl). Melodia adorável. Eu introduzi meus filhos ao álbum. Nós estávamos tocando no carro, voltando do aeroporto, e eu estava simplesmente ‘Oh, ouçam isso, ouçam isso’. Eles ficaram impressionados. Eles amam o álbum desde então.

E SOBRE AS LETRAS?

Paul: Letras pra mim são secundárias. Mas algumas são realmente ótimas. ‘God Only Knows é fantástica. Ela me causa algo toda vez. E (canta a parte ‘just one girl’ de ‘That’s not me’). Há algo muito tocante nas letras do album.

VOCÊ CERTA VEZ DISSO ALGO SOBRE ‘GOD ONLY KNOWS’ SER A MELHOR CANÇÃO JÁ ESCRITA

Paul: É realmente, uma canção fantástica – é a minha favorita. Me perguntaram recetemente numa rádio japonesa, minhas dez preferidas...eu não pensei muito, mas coloquei ‘God Only Knows’ no topo da lista. É muito profunda. Muito emotiva, sempre é um choque pra mim. Existem certas canções que eu levo pra casa comigo, e elas são a mais estranha coleção de canções...mas essa, eu devo dizer, que está no lugar mais alto da lista.

E SOBRE O INSTRUMENTAL?

Paul: Eu adoro a orquestra, os arranjos. Eu adoro a instrumentação. Quer dizer, eu adoro o jeito como ele usa harmônicas, o jeito que ele usa harpas. Eu adoro a maneira como ele usa tímpanos e bateria, e eles oferecem estranhos padrões. E eu já mencionei o baixo. A composição das harmonias é brilhante. Eu amo as melodias.

Se você numerar tudo isso num álbum, eu acredito que você conseguiu. É realmente...sei lá, pode ser exagero dizer que é o clássico do século, mas para mim, é certamente um clássico absoluto, um disco imbatível em vários modos.

ENTÃO ELE TE SEGUROU POR TODOS ESSES ANOS?

Paul: Mais que isso. Ele é cada vez melhor. Quando Sgt. Pepper foi lançado em CD, me despertou o interesse em ter o disco. Eu normalmente levo duas horas dirigindo até Londres. Eu toquei Sgt Pepper na ida e Pet Sounds na volta, e ambos mais do que resistiram ao tmpo. Pra mim, é como ‘O que tem isso feito, onde está o progresso?’ Eu não consigo ver nada tão moderno quanto aquele momento. Eu estou sendo um tanto imodesto, mas eu acho que ambos os álbuns são muito instigantes, ainda mais se pensar que foram gravados de forma primitiva, se comparado com os dias de hoje.

VOCÊ FALOU EM COMO PET SOUNDS INFLUENCIOU VOCÊ. QUE TIPO DE IMPACTO CAUSOU EM JOHN?

Paul: Eu toquei tanto para John que dificilmente ele escaparia da influencia. Se um disco pode dar direção a uma banda, acredito que ele foi a direção de Pepper. E minha influencia era basicamente Pet Sounds. John foi influenciado, mas acho que nem tanto quanto eu. Era certamente um disco que todos nós ouvíamos. Era ‘o disco’ da época, entende?

DO MESMO PERIODO, QUE TAL ‘GOOD VIBRATIONS’?

Paul: É um grande disco. Não tem em questão emotival de Pet Sounds. Freqüentemente eu ouço Pet Sounds e choro. É o tipo de álbum para mim.

ÚLTIMAS PALAVRAS?

Paul: Eu ainda sou um grande fã. Eu acho que com o que você vai escrever aqui, ele vai saber disso. Deixe Brian saber que eu o amo, e acredito que ele ainda vá fazer coisas fantásticas. Deseje a ele boa sorte, saúde, e tenha pensamentos bons e positivos.

Sunday, April 30, 2006

Bruce Springsteen - We Shall Overcome: The Seeger Sessions (2006)

Recentemente, Eric Clapton lançou Me and Mr. Johnson, projeto de CD e DVD que deu novas cores à música de seu maior ídolo, Robert Johnson. Em 2006, outro grande nome presta tributo muito similar. Ao descobrir gravações feitas na época em que participava do disco tributo a Pete Seeger "Where Have All the Flowers Gone", Springsteen resolveu reunir uma galera e gravar aquele que é o seu primeiro disco de covers.
We Shall Overcome: The Seeger Sessions já figura como um dos melhores discos da carreira do "The Boss", por seu clima solto, descontraído, mas também vibrante e de total imersão no espírito dessas canções. E uma ótima oportunidade para conhecer um pouco a música e as idéias de Pete Seeger, um artista que dedicou sua vida à causas políticas e sociais.
"This is a LIVE recording, everything cut in three one-day sessions with no rehearsals. All arrangements were conducted as we played, you can hear me shouting out the names and instruments of the players as we roll. This approach takes the listener along for the whole ride, as you hear the music not just being played, but being made. So, turn it up, put on your dancin' and singin' shoes, and have fun. We did." - Bruce Springsteen


Link pra download e texto originalmente publicados no blog Violão Velho
Nota do blogueiro: ainda não ouvi, o dowload está pela metade, mas o Chefão fazendo covers de Pete Seeger é o tipo de coisa que não precisa ouvir pra saber que é bom.

Saturday, April 29, 2006

Dae

Coqueiros em Carneiros, foto tirada pela sister Tatiana Pimentel


Eita preguiça danada de atualizar essa bagaça. Eu ia escrever sobre o Abril Pro Rock, mas já tem gente bem mais competente que eu que já fez isso. Basta dizer que Cidadão Instigado e Camille foram ótimos, apesar da qualidade merda de som. Maquinado e Orquestra Imperial mandaram bem também.
E falar em Abril Pro Rock, me lembra de quando me mudei pra recife, no ano passado. Cheguei aqui faltando menos de um mês para o festival. Fui pra ver Orquestra Manguefônica, que foi do caralho, mas a noite valeu também por outra banda local, o Superoutro. Música pop de responsa, com 'barulinhos' também de responsa (eu ia dizer barulinhos à Radiohead, mas os bigodes não devem mais aguentar isso).
Eles foram a primeira banda do domingo. Tocaram pra pouca gente. Estavam presentes, além de meia dúzia de gatos pingados, a família e dos amigos. E quem chegou tarde perdeu um baita concerto. A música que me pegou foi 'O Castelo'. Assim que eles a terminaram eu saí pra comprar o CD.
'Autópsia De Um Sonho' é um dos tantos petardos independentes que são lançados e poucas pessoas percebem. Bem composto, bem tocado e muito bem gravado, qualidade esta que muita banda independente deixa de lado, por falta de condições ou por pura babaquice.
Eu ia ripar o CD e disponibilizá-lo aqui, mas pensei bem, e resolvi que não. No site (que é uma beleza, só falta atualizar) tem 3 faixas pra download. Quem gostar entra em contatos com os magrões e compra a bolacha.
É nóis, tô preparando um especial pós-punk. Por enquanto, deixo vocês com a imagem lá de cima, que combina bastante com minha preguiça.
Aquele abrá.

Thursday, April 20, 2006

Em clima de Abril Pro Rock

Dae. Mal posso esperar pra ver o show da chanteuse Camille, ex-vocalista do Nouvelle Vague, no APR. Periga causar estranheza aos desavisados, mas periga também ser o melhor show do festival.
<-----O mais recente album da francesinha, 'Le Fil', é o que a gente pode chamar de experimental, mas não despreza a veia pop. As canções são construidas sobre arranjos vocais, mas sem ser cabeçudo. A melodia vocal remete ao melhor do Easy-Listening, sem ser baba. Enfim, o lado experimental não atrapalha o lado pop, e vice-versa. É isso ou algo parecido.
Nem conhece? Então ouça.


Tuesday, April 18, 2006

Sonic Youth - Rather Ripped

Furtei o link do Baby Borderline. Sem comentários, escuta aê.


http://rapidshare.de/files/17813835/Rather_Ripped.zip.html